sexta-feira, 9 de abril de 2010

Auto-Diegese

Quando o mundo ganha forma,
passando do imaginário à visão,
sinto seu sentido saltar aos olhos...
surgindo ao meu lado,
a prória história de cada criação
e me vejo personagem diegético...
Prédio após prédio,
pontes, igrejas, castelos:
exércitos em invasões bélicas,
ou um mero casal Flaubertiano
tramando outro encontro proibido!

João F. A. Cunha

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Noite em Paris










Louvre,
lindo Louvre...
Leve na entrada,
pesado no trajeto...
cansado na saída!
Louvre,
leve paciência,
disposição...
e traga uma única certeza:
Não, você não viu tudo!
Eu sei...
e eu também prefiro o Orsay!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Parisear




Paris parece parada,
mesmo com tanto movimento...
Gelada, chuvosa,
assombrosamente adaptada para o mundo.
Me sinto cansado disto...
daquelas estátuas, da torre fálica,
dos monumentos...
Isto tudo, pra mim,
é um caminhar sem fim:
Sena, Le Halles,
Gare não sei o quê...
e a interminável Champs Eliseè!
Ainda que seja linda,
que exale cultura e história,
parece que passou do ponto.
Perdeu o encanto por um momento,
mas foi bom parisear
e conhecer um lugar com o qual sonhei
Paris...
Parece que não vi tanto assim!

Mediterrâneo




"A mulher mediterrânea que passa
tem um quê... um olhar:
meio menina, meio mulata,
totalmente moulin a me moer.
Tem algo que não se copia
tão pouco se disfarça.
Euforia contida, mas arrebatadora,
elegância medida e também tentadora.
A mulher mediterrânea,
com seus olhos amendoados,
com seus lábios bem desenhados,
talvez cace como as aranhas,
deixando um homem ir à guerra
para a glória da sua desgraça.
Ah, mulher mediterrânea..."

Joãozinho outra vez pelo mundo...

Pra quem não sabe, fui a um congresso no sul da França, em Aix, uma cidade perto de Marseille.
Lá, vivi minha primeira experiência quantitativa na Europa, no entanto, vi uma Europa, diferente da Europa, não apenas pelo congresso que permitia uma múltipla expressão, mas principalmente porque Marseille, o grande porto do mediterrâneo francês, é múltipla. Sua identidade é missigenada e permite quase tudo. Deste modo seu povo vem se misturando e se reinventando.

terça-feira, 9 de março de 2010

Mulheres... mulheres...
quem pode com elas?
Com seus passos,
sobressaltos,
saliências?
Com suas impaciências
entre infindas tolerâncias?
Quem pode negar seu lugar ao sol,
ou não se fragilizar
com pluviometrias sentimentais?
Se dissessem que nunca mais elas
seriam tão elas,
que as janelas pro universo feminino
estariam fechadas para sempre...
o que restaria aos homens?
Mulheres... mulheres...
Quem afinal pode sem elas?

João F. A. Cunha
08/03/2010